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Entre ser e estar

Entre ser e estar

Chega

Sabes que mais?

Não te entendo.

Por mais que me esforce não percebo o que queres de mim, se é que queres alguma coisa.

Não sei se queres que vá ou que fique. Se queres a minha amizade ou o meu amor.

Não sei se é suposto aproximarmo-nos ou afastarmo-nos.

E analiso. Analiso-me a mim, porque estou dentro da minha cabeça e sei o que quero ou não quero. De ti, só posso analisar os sinais, as respostas. E dana-me que não entendo.

Faço um esforço sobrenatural por acreditar que vejo fantasmas onde tudo é claro como a água. Que não existe nada para entender.

E faço esse esforço quer a favor do abandono quer da aproximação.

Claro que a minha mente pessimista aponta quase sempre para o "nada existe".  E é aí que me dás sinais contrários.

Mas, sabes que mais?

Acho que estou a deixar de querer saber. Acho que já não me interessa o que queres.

Que daqui em diante é apenas o que eu sinto ou não sinto.

Já me chega.

Não sei se é cansaço, se é tristeza

Este sentir que me ensombra e me assombra, me deixa triste e calada, sem vontade de agir, de falar ou sorrir.

Esta angústia que me toma, que me consome, me mantém o riso disfarçado.

As ausências de tudo, desde a vontade à tua presença.

Não sei se é cansaço ou tristeza que me deixa assim.

Sei apenas que este sentir me desgasta, me retira a capacidade de reagir.

Sinto apenas o aperto no peito, os olhos pesados.

Ignoro o verão.

Talvez seja o calor.

Mas não sei se é cansaço apenas ou tristeza.

E neste estado vou-me arrastando, vazia de tudo ou cheia de nada. Sem meio copo ou meio termo de comparação.

Fico, sem sair de onde estou. Nem a imaginação me alberga em descanso.

Não sei se é cansaço, se é tristeza, mas assim me vou deixando. 

Mãos dadas

No outro dia ficámos de mão dada, à espera que o grande momento se desse.

E lembrei-me quando eras pequena e te segurava a mão, quando passeávamos. Quando ias dormir.

A pressão que de vez em quando fazias com os teus dedos era a mesma. O olhar era o da tua mãe.

E percebi nesse olhar de mãe que fizeste, a emoção que é ver-te, agora, a teres uma mão pequena para segurar a tua.

 

Sinto

Sinto o meu coração pequenino com a ideia do que se avizinha.

Sinto-me sem coragem, sem força, sem energia.

Mas sei que agora não é para voltar para trás.

Mesmo que não saiba o que me espera.

Por vezes vem a questão: para quê tanto esforço.

É a teimosia, mais do que a vontade, que me impele a avançar.

O coração acelera, as pernas parecem vergar.

Sinto o peso sobre os ombros.

E parece que não vou aguentar.

Estranho-me. Porquê tanto medo. Tanta hesitação.

Sinto vontade de parar, mas continuo o caminho.

 

Nós

Nó.jpg

Há dias assim, em que tenho a cabeça toda feita num nó(s).

Dias que não são nossos mas são nodados.

Pensamentos enredados, emoções entrelaçadas, noites perdidas, sonhos acordados.

Nós cegos. Eu sem conseguir ver a saída. Tu sem me veres, bem na tua frente.

E no meio o vazio que sinto por entre os nós da ausência do nós.

Por vezes, creio que isto só vai lá a corte de lâmina, mas falta-me a coragem para me desatar. Com medo que o vazio se propague à velocidade do isolamento e da ausência do teu som.

Nós sem o quente da tua voz, sem o calor da tua mão. 

Mil e uma voltas infinitesimais, circulares, rotundicas. Entontecedoras. Que me levam a nenhures.

Nós que teimam em perdurar. Em apertar e segurar. Sem pontas à vista.

Mas com uma beleza elementar. Desarmante. Desnuda.

Sempre ligados.

Nós.

 

 

Confusão

Não sei o que pensar, nem o que dizer.

Numa altura em que pensava que tudo estava arrumado, em que tinha limpo a minha casa interior, sobrevêm dúvidas e inquietações.

Estarei a imaginar coisas?

Emaranhei de novo os meus pensamentos, e a ponta do novelo ficou escondida dentro de si próprio.

Receio desmancha-lo, pois não sinto coragem para recomeçar a enovelar ideias e sentimentos.

Mas deixá-lo assim pode ser uma solução temporária aceitável, mas não definitiva.

Tenho medo que ao desmanchar o novelo, os sentimentos/pensamentos, me fujam de novo ao controle e tudo fique enredado em demasia. Outra vez.

Mas deixá-lo escondido nos cantos do meu pensamento, fazem-me tropeçar em cada esquina do caminho e atrasa-me o passo.

O passo para ir não sei bem para onde.

Talvez faça dele bola e o atire bem longe, para as garras de um qualquer persa que goste de brincar com bolas de pensamento.

Não estou

Não estou para o mundo. Não quero estar.

Estou cansada que me digam que devo sentir mais. Rir mais. quando na verdade sofro de tanto sentir.

Quero partir. Deixar para trás todas as obrigações, relações, ralações.

Quero esquecer. Andar. Ver algo de novo.

Mas é sem sentido.

Porque sei que acabo sempre por voltar.

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