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Entre ser e estar

Entre ser e estar

Vou ali e já volto

Vou ali e já volto.

Parece saído de um aviso de porta de loja, mas é o que por vezes me vai na alma.

Nos dias frios em que me apetece um pouco de calor humano.

Nos dias quentes em que preciso arrefecer as ideias.

Vou ali e já volto. Num pulinho que dure a eternidade necessária.

Sair de um local onde não apetece estar.

Sair de um tempo que me parece intoleravelmente conturbado.

Sair de mim, para depois voltar renovada.

Uma espécie de férias do estar para voltar a ser.

 

Vou ali e já volto.

De nada preciso além do ar que respiro

De todas as lições aprendidas na vida,

guardo em memória como essencial,

que na vida pouco necessito,

além do ar que respiro,

do mar no verão,

da chuva de inverno,

do chão que piso,

do riso diário,

do choro esporádico,

da vida partilhada,

do amor correspondido.

Ou numa palavra, de ti.

Surpreende-me

Surpreende-me.

Neste tempo de calor e corpos quentes,

de férias e de distâncias,

surpreende-me com um telefonema simples,

uma lembrança do que podemos ser.

Surpreende-me, como um sopro no calor da praia,

um vento morno que nos arrepia a pele, 

assim pode ser a tua voz, se o quiseres.

Toca-me com palavras,

com pensamentos inconfessados.

Embala-me o sonho irrealizável, 

para que no outono já o tenha esquecido.

Surpreende-me,

toca-me o coração e a mente,

como só tu o sabes fazer.

puzzle

Esta tarde, num momento de ócio, sentei-me a fazer um puzzle, uma das minhas actividades favoritas quando, no deambular dos meus pensamentos me apercebi da existência da solidão.

Não é uma solidão desacompanhada, é apenas uma solidão.

E creio que só agora me apercebi  dessa ausência.

Acontecimentos foram pondo a nu as minhas fragilidades, deixaram marcas que o ócio de verão revelou.

No entanto, continuo pouco disposta a cedências patetas que me garantam o calor da companhia para o inverno que se aproxima.

Nem tão pouco pretendo fazer a apologia da independência.

Apenas constato as milhas que estabeleci ao longo dos anos entre mim e tantos outros. Bem o sei.

Assim, vou juntando as peças do puzzle e procurando, no desenho construído, uma forma de me habituar a esta solidão.

Carta

"Olá.

Lembras-te de mim?

Há uns anos atrás costumávamos andar lado a lado. Sonhar os mesmos sonhos.

Mas, acima de tudo, acreditávamos que os iríamos cumprir.

O que aconteceu?

De repente deixaste de me ouvir.

Creio mesmo que deixaste de me ver.

Perdemo-nos. Não conseguimos manter a comunicação.

As nossas piadas deixaram de ter graça. Tornaste-te séria.

Deixaste de rir, mesmo.

 

Sinto falta das nossas conversas.

De correr atrás dos sonhos.

Achas que podemos voltar atrás?

Não ao que eramos antes, mas recuperar um pouco da ingenuidade e da alegria.

Até breve.

O teu antigo eu"

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