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Entre ser e estar

Entre ser e estar

Mudar de ares

Mudar de ares, de paisagens.

Ver gente desconhecida e sentar-me numa esplanada à beira-mar.

Sentir o sol, ouvir o mar, admirar as cores do por-de-sol, com calma.

Mudar planos, sem hesitação, sem remorsos, em plena descontracção.

Perceber que os anos mudaram as minhas paisagens internas quase tanto como manteve as velhas paisagens revisitadas.

O cheiro do mar, o riso das mesas vizinhas.

Nem a solitude me assusta.

Sorrio dos pensamentos.

E para me defender dos perigos do desenraizamento da minha mente, trago algumas rotinas comigo.

 

Sigo

Num mundo cada vez menos são, falta-me ancora que me retenha, escora que me impeça de desmoronar.

Sinto-me vazia, desorientada e, no entanto, nunca estive com tanto em mãos.

Trabalho, afazeres voluntariosos, amizades activas.

Mas mesmo assim, continua a faltar o essencial. A minha estrutura pede algo mais.

Pede a expressão do que não existe, nunca existiu, mas deixa tanta saudade na sua ausência.

A tristeza não se chega a instalar, porque o tempo escasseia.

Mas o corpo ressente-se. A alma definha. A mente perde-se.

Como se de sal se tratasse, parece que vai secando o terreno fértil. Esta ausência.

Mesmo assim, sigo em frente.

Não por teimosia, Ou por achar que é o caminho certo, mas por não conhecer outra via.

Por não encontrar o que me falta.

Se

Se me vires cair, segura-me a mão e ajuda-me a recuperar o equilíbrio, pois sei que de mãos dadas teremos mais força para suster o que nos atormenta e deita ao chão.

Se me vires chorar, não me digas para parar, mas retem-me nos teus braços e deixa que a minha tristeza se exprima em toda a sua fúria.

Se me vires gritar, não me digas para acalmar, mas procura entender de que recanto da minha alma vem o meu grito.

Se me vires rir, ri comigo, de preferência com o riso sincero de quem me entende.

Se me vires dormir, protege-me os sonhos, não deixes que me acordem antes que estes terminem.

Se me vires partir, diz-me porque devo ficar.

Se o entender nos teus olhos, na tua voz, nos gestos das tuas mão, ficarei.

E então serei eu a velar os teus sonhos e a estender a minha mão para a tua.

 

sonhos

Eu sou a criadora de sonhos, a descobridora de caminhos.

Não dos meus caminhos.

Sou a guardiã das chaves que abrem as portas e janelas e mostram vias possiveis a seguir.

Sou aquela que ilumina quando necessário, mas que também traz a noite consigo.

Sou a que ajuda a alcançar o que se deseja, que transforma sonhos em realidade.

Não sou a inspiração de sonhos;

As musas inspiradoras que o criador ama pelos desejos que despertam, não é papel que me esteja reservado.

Eu sou a construtora, a fiel depositária de sonhos que procura concretizações.

E se o criador ama a sua musa, a construtora é quem fica para a execução.

Eu sou a construtora de sonhos alheios.

Mas nunca dos meus.

Fim de verão

Uma das épocas que me agrada: o fim do verão. O regresso ao trabalho. Os reencontros do outono.

O outono.

Por vezes, a vontade de ficar em casa, à espera da chuva.

Esquecer o trabalho e convidar os amigos para um jantar ao som de música suave e gargalhadas fortes.

Planear os fins de semana, os filmes para ver, a manta para aquecer, o livro para ler e sonhar. O chá que aquece por dentro e por fora.

O cheiro a terra molhada, a chuva, a castanhas.

Mas por enquanto, ainda há calor e praia para fazer.

Esperar que o outono chegue. E aproveitar o fim de verão.

 

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