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Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

O Medo

O Medo, esse inimigo que me trava e não deixa arriscar. Denomino-o assim, com letra maiúscula, porque são grandes e fortes as reacções e emoções que me provoca. Respeito a forma como, frequentemente, me salva de situações perigosas, impedindo-me de saltar para o abismo. Detesto o modo como me inibe as vontades e me impede de arriscar mais. Gosto do frio no estômago que me provoca perante o desafio aceite, pois sei que me manterá alerta aos pormenores. Mas acima de tudo, temo-o. Tenho medo do Medo. Que me invada a mente e não me deixe sentir mais nada. E nesse medo do Medo, reconheço o medo de ser eu mesma. Medo de me libertar.

Confissões I

Por vezes, muitas mais do que gostaria, sinto-me uma estranha no meio dos outros. Como se me tivessem convidado para uma festa, mas num grupo a que não pertenço. Todos são simpáticos, mas não sei o que dizer ou como estar. São daquelas situações em que parte de mim não é nem está. Tento integrar-me e, por vezes, até parece que funciona. Mas, depois, inesperadamente, dou comigo a pensar porque é que estou ali. O que esperam de mim. Percebo que cheguei atrasada, que a festa já começou muito antes de eu chegar. E que, de certa forma, estou a invadir a festa, embora convidada. Na verdade, eu não pertenço ali. E fico gelada na pergunta que me faço: mas então onde é que pertenço? Se não é ali o meu lugar, então onde devia estar?

Cartas que não vou enviar II

Desculpa. Desculpa toda a confusão que posso ter trazido à tua vida. Apenas queria algo que não posso ter. Não sabia sequer quem era. Não sabia que era possível querer algo tanto assim. Mas hoje percebi. Fui tola. Não se pode ter o que não nos está destinado. E eu que nem acreditava no destino! Algo se quebrou um pouco mais cá dentro. Deixa. Ficarei com a nostalgia do que não aconteceu.

Cartas que não vou enviar I

Hoje estava na praia. Numa praia nova. Mas os pensamentos permanecem velhos.

Estou longe e tu não dizes nada. Bem sei que fui eu quem decidiu esta distância, não tens culpa. Pensas estar a jogar um jogo seguro, mas podias quebrar o silencio.

Ser menos politicamente correcto.

Surpreende-me. Diz um pequeno algo que me permita justificar o permanente pensar em ti.

Então decidi escrever-te:

És um idiota.

Por fazeres tudo certinho. Por eu fazer tudo certinho.

Estou com os pés dentro de água, a paisagem é linda, e eu a pensar em ti.

Os pés a enterrarem-se na areia e eu a afundar-me nos pensamentos. Será que pelo menos te lembras de mim?

De repente olhei para o lado e dei pela companhia.

Uma gaivota, tal como eu, molhava as patas. Tal como tu permanecia (aparentemente) indiferente.

Eu a lamber feridas, ela a lavar as penas.

E o mar a ir e vir indiferente a todos, como o tempo que passa indiferente sobre os nossos pensamentos.

E de repente percebi.

Sou uma idiota.

As coisas são como as fiz. Eu criei as regras muito antes de nos encontrarmos.

Então, vamos deixar as ondas vogarem, deixar o tempo correr.

Libertar-me dos medos, das contenções. Deixar de querer saber. Seguir. Mergulhar.

E deixar esta carta quieta, sem ta entregar.

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