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Entre ser e estar

Entre ser e estar

Insano

A dor quase física,

as mãos encharcadas de suor.

A cabeça que lateja,

o sangue que corre mais rápido nas veias.

Rápido, tão rápido,

Corre vertiginoso,

Como correm vertiginosos os meus pensamentos.

Atropelam-se insanos,

desconexos, desconectados.

Desligada de uma realidade irreal

irreflectida, reflectida

na discussão já banal

do incomum dos dias,

em que de novo ressurgiriam 

as horas, os minutos e os segundos

de uma vida sentida, temida

esgrimida

a tons de vento e gritos

por um fim / finalidade sem sentido

sem tédio

sem remédio

mas que parece insistir em tardar.

Quereres

O que queres de mim?

Que podes tu querer que eu não tenha para te dar?

Pede. Diz. Reclama.

Faz com que eu entenda claramente o que não dizes, mas não canso de imaginar.

Que não entendes do que não digo?

Que dúvidas te posso suscitar?

Do que exponho e do que não sou, tudo me parece bastante claro.

Então, que queres tu de mim?

Tudo me podes dizer. Tudo me podes pedir.

Tudo, excepto o nada.

Pois nada, não é o que tenho para te dar.

Descansa

Descansa.

Pousa a tua cabeça no meu ombro que ficarei a velar o teu sono.

Segura a minha mão e deixa que te acompanhe

pelo menos enquanto o teu caminho for o nosso.

Deixa que as tuas preocupações se escoem entre os nossos sorrisos

e as nossas piadas privadas.

Deixa-me ajudar-te.

Apoiar-te.

Amar-te.

Procura-se

Procura-se alguém que ouça, tudo o que haja para ser dito.

As tristezas, as alegrias, o inesperado ou o comum dos dias.

Desde o profundo ao simplesmente bonito.

Procura-se um abraço para dar e outro a receber.

Uma caminhada à beira-mar, uma nova paisagem para ver.

Uma rajada de ar que se transforme em vento

e leve as minhas palavras a alguém atento.

Mas acima de tudo, em qualquer parte do mundo,

procura-se uma vida para viver.

Fantasia de poeta

Quando eu for grande, quero ser poeta boémio/escritor.

Inventar palavras novas que não encontro para ti. Desensejo. Cerebrepaixão.

Ser piloto de borboletas.

Navegador de mares incertos.

Domador de feras mansas.

 

Quando eu for grande quero ser pequeno de novo e fazer dos meus sonhos o cavalo selvagem que me atira ao chão.

Deixá-lo levar-me à desgarrada e respirar com ele os verdes azuis amarelo negros da paisagem da minha paixão.

Agarrar-me com ambas as mãos à sua crina e ir veloz.

E quando a paisagem se fundir numa amálgama de arco-íris, largar as mãos, abrir os braços e entregar o peito às balas da tua ilusão. 

Existência

Há dias em que duvido da minha existência.

Sentada, com um café à minha frente, tudo me parece ilusório.

Talvez apenas o café seja real.

Tudo o mais é frio, húmido.

E, tal como eu, dormente de insensibilidades.

No peito vazio, sei que algo bate compassadamente, impelindo a vida a correr-me pelas veias.

Mas existir?

Confundo-me com as paredes.

Invisível a olhares alheios.

E, no entanto, fui eu que me fiz assim.

Inexistente.

...

Segura-me. Toma-me entre os meus braços.

Deixa-me encostar a minha cabeça no teu peito.

Enebriar-me com o teu cheiro.

Quero adormecer os meus sentidos.

Deixar que o entorpecimento me tome.

Deixar a minha respiração seguir a tua.

Aninhar-me em ti enquanto ouço a chuva lá fora.

E esquecer-me as tempestades que me tomam.

Quero conseguir dormir se puderes velar os meus sonhos.

Deixar-me ficar quieta, sem falar.

Não pensar no que me doi.

No tempo que passa.

Ficar quieta.

E não sentir.

Não sentir.

Não sentir.

 

Esquece

Esquece.

Esquece-te de ti em toda a dimensão.

Esquece os teus desejos, as tuas ambições.

Os teus amores e as tuas tristezas.

Esquece onde queres chegar.

Há sempre alguém que chega primeiro.

Esquece.

Cala o teu coração e que o teu sorriso não desvende a tua dor.

Já não há tempo.

Já não há nada a alcançar.

Esquece.

Tudo está terminado.

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