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Entre ser e estar

Entre ser e estar

Erros

Devia haver um limite de erros a cometer na vida .

Não um limite total, mas um limite por categoria de erro.

Qualquer coisa do género: 

Tens cinco hipóteses para acertares com o trabalho certo para ti; o quinto vai surgir como uma grande oportunidade, é definitivamente teu e vais adorar. 

Ou, tens três tentativas para te apaixonares; se à terceira ainda não correr bem, tens duas hipóteses - ou desistes de vez ou confias no destino e arranjamos- te algo que vai ser garantido. E nós escolhíamos a hipótese que nos parecia melhor.

A grande chatice é que eu tenho dificuldade em confiar nessas coisas do destino e tenho dificuldade em desistir do que sonho.

E lá vou eu, de erro em erro, jurando que este é o último. E que nesta não volto a cair. E...

E quando dou por mim, cá estou de novo neste beco sem saída que conheço demasiado bem.

E a chorar por dentro, que é como quem diz, a sentir-me invisível e a desejar não sentir isto nunca mais.

E a ter noção de que isto não é mesmo para mim, por isso vou concentrar as minhas energias no que vale a pena. 

Pelo menos até aquele momento idiota em que decido, ok, só mais uma tentativa. E desta vez vai ser a sério. 

E depois? 

Bem, depois é só voltar ao início deste texto.

Carta a alguém inseguro

Tens medo, luta.

Deixa-te de desculpas, deixa-te de indecisões.

O que alcançares, será apenas aquilo porque lutares.

Mas, escolhe bem os objectivos: luta por ti e para ti. 

Só assim poderás começar a lutar com e pelos outros.

Se falhares, que seja apesar de teres dado o teu melhor.

E acredita que seria bem pior não teres tentado.

Esquece a competição com os outros - só serve para aumentar o medo,

na maioria dos casos.

O que os outros alcançam, e como, é problema deles.

Tu tens a tua própria luta para fazer.

E já te dá trabalho suficiente para te ocupar.

Por isso, deixa-te de tretas e segue em frente.

Ninguém te pode tirar aquilo que é efectivamente teu.

E o que é efectivamente nosso é muito pouco material.

Assim, vê se aquilo que te está a apoquentar é assim tão importante.

Aceita as tuas qualidades com o mesmo fervor que reconheces as tuas limitações.

E o resto virá.

Acredita em ti.

Mesmo que percas aquilo que julgas importante para ti

isso não te desfaz.

E se alguém te preterir em favor de outro, é porque não te conhece,

Ou reconhece o que está a perder.

Nesse caso, também não te merece.

E quando te patecer chorar, e achares que já chega, chora e pára.

Reune forças e retoma caminho.

Nunca te esqueças:

És único.

Confia em ti.

Insónia

Às vezes acordo a meio da noite,

Com a sensação de que toda a terra me engole.

Depois percebo que não. 

Que sou só eu a reencontrar o negro dos meus sentires.

Assaltam-me, assim, de repente.

E acordo com a sensação de que tudo está errado.

A começar por mim.

Faço, nessas noites, uma descida aos meus infernos pessoais, 

Na esperança de me cansar tanto que consiga tudo esquecer.

Nessas noites nada ajuda.

Nem ler, nem música. 

Então abraço toda a dor da existência,

Até deixar de sentir o que quer que seja.

Até estar tão dorida, tão cansada, que dormir se torna a única opção do meu corpo.

E antes de me dar por vencida,

Tenho um último pensamento, um último desejo:

Que os meus sonhos não me atraiçoem de novo.

Abandono

Como é que me pudeste deixar?

Partir sem regresso, como se te tivesses esquecido das nossas promessas.

Tinhamos os planos feitos.

Companheiras de aventuras desde a minha infância (cheguei ao mundo depois de ti),

era suposto termos envelhecido juntas.

Lembras-te?

Iamos ser duas velhotas a viver num espaço simpático. Casas térreas, porta com porta.

De manhã iriamos beber um café e rir e falar das mil e uma tolices que só duas irmãs conseguem falar.

Das cusquices da família. Inventar histórias, como tanto gostávamos de fazer.

E rir. Sempre rimos tanto!

Os teus filhos iriam visitar-nos, e trariam os seus filhos.

De tarde, irias para a tua sala de pintura, enquanto eu iria para minha casa ler os meus livros - nunca os conseguirei ler todos, sabes?

E agora?

Com quem me vou rir?

Como é que vou envelhecer?

Deixaste-me para trás; nem lutaste. 

E eu? Eu aqui fico perdida, à espera de saber, um dia, lidar com este abandono.

Cansaço

Estou cansada.

Cansada da chuva e do frio.

Dos casacos.

Cansada de me sentir assim, gelada.

De olhar à volta e tudo, tudo, sem excepção, estar frio.

Penso "onde é que errei, para não haver uma nesga de primavera neste momento?".

Cansada de não agarrar os pequenos nadas que antigamente me aqueciam.

Estou cansada de me queixar. 

Como nos libertamos do peso do que não queremos sentir/viver?

Como abro uma das janelas da minha existência para o sol entrar?

Como faço para mudar o que sinto e o inverno que sou?

Como venço este cansaço?

Paixão dos 40

SDC13108.JPG

 Nos meus 40, assolou-me uma paixão irresistível,imensa.

Não com a imensidão dos campos, tranquilos e suaves.

Com a imensidão do mar profundo;

ora intempestivo, furioso, escuro e assustador, 

parecia que me ia engolir e fazer desaparecer num turbilhão incontrolável;

ora suave e brilhante, que me embalava e devolvia à vida.

No entanto - porque será que há sempre nestas histórias um entanto?

No entanto, a alma do meu mar imenso estava tomada por um nó

que me impedia o acesso.

A chave, creio, estava na minha mão, mas a fechadura bloqueada

por um compromisso, que não era o meu.

Libertei-o do meu sentir. Mas não a mim.

Não guardo rancor, mas um imenso carinho, que me leva a ler a sua alma

de tempos a tempos.

Não sei se é feliz (temo sempre que seja a minha vaidade a tentar ler o que poderá não estar lá).

Mas sei que eu não sou.

Hoje, dia de festa, é dia de elevar os copos em brindes alegres.

Sinto que me falta a peça essencial ao meu festejo pessoal.

Mas sigo, deixando para trás o sonho quimérico de o conquistar.

Emoções

Eu sei. As pessoas nunca estão satisfeitas com o que têm.

Quem é mais novo, quer ser mais velho.

Quem é mais velho, quer ser mais novo.

Quem tem rotinas, quer emoção e variedade.

Quem tem instabilidade, quer rotinas.

E eu, o que é que eu quero?

Ser capaz de acreditar.

Que virá um dia melhor.

Que tudo se resolverá.

Que as noites me trarão descanso.

Mas, para já, continuo a remar contra a maré

E tento adivinhar de onde vem a próxima tempestade.

 

Caminhos

Andar kilometros por caminhos junto ao mar.

Deixar a mente vogar ao ritmo dos passos,

incentivado pelos ventos,

temperados pelo cheiro a sal.

Sonhar, sonhos sem sentido na realidade.

Fingir realidades sonhadas dentro de mim

e deixar que o balanço dos passos me embale os sentidos.

Ter tudo na cabeça e tão pouco na realidade!

O cansaço dos passos torna mais fácil o retorno ao dia-a-dia.

E, por uma semana, guardo os meus sonhos no bolso secreto da imaginação

e espero até voltar ao meu caminho à beira-mar.

Choro

Apetece-me chorar.

Choro sentido por todas as agruras dos tempos - meus e alheios.

Deixar toda a tristeza do mundo jorrar dos meus olhos e com as lágrimas criar um novo oceano.

Deixar este peso no peito escoar-se, para poder de novo respirar.

Doi-me o corpo por dentro, em todos os pontos que os médicos crêem insensíveis.

As mãos tremem das emoções reprimidas.

Mas as lágrimas teimam em não correr.

Correm pelo lado de dentro, afogando-me em angústias que não desistem de sobreviver.

Que se fortalecem com o sal das minhas torrentes.

Que me consomem.

Me entristecem e enfraquecem.

Até ao ponto de já não sobrar nenhuma vontade.

Excepto a de chorar.

Dormir

Dormir.

Sonhar.

Sentir o corpo esquecer o cansaço e deixar-se levar por um quê de inconsciente.

Fechar os olhos e deixar o cérebro misturar a realidade com a fantasia.

Dormir.

Sonhar.

Esquecer-me de ti e reencontrar-te num mundo inexistente, em situações que não acontecem.

Andar na rua de mão dada. 

Conversar conversas sem fim. Não sei sobre quê. Nunca nos ouço. Só vejo.

E sinto.

Sinto a paz no sonho, a tristeza no acordar.

A vontade de te vedar o espaço dos meus sonhos apenas momentâneamente.

E dormir.

E voltar a sonhar.

Sonhos sem fim.

Sem tempo. Intemporal. Sem espaço definido.

Mas com tanta cumplicidade; com tanto carinho; com tanta emoção. Mesmo que irreal.

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