Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre ser e estar

Entre ser e estar

Ano novo, Vida velha?

2018 está quase, quase a terminar.

Creio ser a primeira vez na minha vida em que entro num novo ano com consciência de estar a viver, verdadeiramente, uma época de mudança.

Sinto áreas da minha vida em pleno ponto de viragem, e outras em total ponto morto. Talvez a mudança nas primeiras abanem as segundas.

Vários acontecimentos, de múltiplas matizes emocionais, se deram nos últimos doze meses. Mudanças impostas, oportunidades agarradas, pequenas e grandes alterações ao quotidiano. Novos amigos, perda de antigos. Aproximações e distanciamentos.

O novo ano traz promessas, medos, seguranças numas áreas, inseguranças em muitas mais.

Para já, vou vivendo cada transição procurando estar consciente e sem criar excessivas expectativas. De certa forma, uma defesa contra desilusões.

Sei que há uma forte probabilidade de as grandes tristezas que se têm feito anunciar se efectivarem. Tento contrabalançar procurando no ar indícios de alegrias inesperadas  para compensar e que sei andarem por aí. Pois a vida é feita de passos de equilibrista num arame - ora balançamos para um lado, ora para outro.

Para já espero: encontrar dentro de mim a energia, a força e a vontade para ser gentil nas mudanças e nas continuidades, comigo e com os outros; ser capaz de manter a cabeça fresca, o sorriso no coração e os amigos por perto; partilhar(-me) mais com os que me são essenciais e com os que ainda não o são; Acima de tudo, espero conseguir saborear cada dia com todo o arco-íris emocional que me trouxer.

Resta-me desejar um bom ano a todos: conhecidos, desconhecidos, amigos, desamigos, quase amigos e afins. Que 2019 nos traga aprendizagens, emoções e cumprir de objectivos; que seja cortês quando nos apresentar os inevitáveis dias mais difíceis.

Para cada um de vós um abraço, um beijo, ou um simples aceno. Deixo ao gosto de cada um.

Sorriso

Estás a ver o meu sorriso?

Não te iludas. Por trás dele está uma tristeza do tamanho do mundo.

Não o uso para disfarçar, mas sim como estratégia de sobrevivência.

Por vezes sinto, ou melhor, creio que se não sorrir o mundo à minha volta começa a desvanecer-se, como se de uma fotografia desbotada se tratasse.

Por isso, quando me vires sorrir, não faças perguntas. Apenas sorri de volta, para que eu não me apague também.

Vazios

Dizem que quem já não vive entre nós, vive em nós.

Mas frequentemente o viver em nós não chega. Torna-se um fraco consolo.

São dias, simbólicos ou não, que, repletos de memórias, nos atingem em cheio, um autêntico murro no estômago.

Por vezes essas memórias vêm de pequeninas e instantâneas coisas: um aroma, uma canção, um objecto.

Outras vezes são dias inteiros de coração apertado por algum evento que se deveria estar a celebrar, ou pelo reencontro com o vazio.

Nessas alturas ouvimos aquelas frases magníficas, como o que não nos mata torna-nos mais fortes. E que só têm o condão de nos fazer sentir mal na nossa pseudo-fraqueza de sentir aquela dor imensa.

Na verdade, a vida segue sempre. Parte de nós é que não.

Descrenças

Por vezes creio que vendi a alma ao diabo, na busca por aquilo que não encontro.

Que mais poderia explicar esta insatisfação, esta tristeza, mesmo quando pareço avançar.

Dizem que de cada vez que perdemos algo encontramos algo que nos preenche.

Neste momento sinto que perdi algo que não mais vou recuperar, e o novo que me surge, e que agarro numa vontade de virar a vida, parece insuficiente.

Começo a compreender que nada voltará a ser igual, nem voltará o prazer do que se acabou.

Descreio no futuro embora o enfrente e aplique a mudança.

Esta noite sonhei contigo

Esta noite sonhei contigo.

Abri uma porta para uma sala qualquer e lá estavas tu à minha espera.

Sorriste, com os lábios e com os olhos, num jeito que te era tão peculiar.

Chamaste-me a atenção para alguns pormenores, dissemos algumas das nossas piadas e rimos.

Acordei profundamente zangada. Como é possível que tudo tenha sido tão perfeito no sonho, mas a tua voz não estar lá?!

Devíamos gravar as vozes que nos tocam; consegues imaginar? Ouvir aquela forma de dizer o nosso nome como só aquela voz sabia dizer.

Consigo reviver as emoções, o toque, até as ideias mais tontas partilhadas, mas não a tua voz. Ainda rio das tuas piadas, mas sem o teu som.

Como é possível? Os anos não são assim tantos! Na verdade, todo o tempo que passou está a mais.

Tenho saudades tuas.

Quero-te de volta, para planearmos tudo o que ficou por planear.

Para dizer tudo o que não foi dito.

Dóis-me cá dentro.

 

A noite passada sonhei contigo.

E a anterior também.

Esperança

Sem o esperar, de repente, um dia, regressa a esperança.

Pensamos que talvez ainda seja possível.

Aquele sonho;

aquele reencontro;

o sol num final de dia de inverno.

As notícias surgem, prenhes de promessas e algo em nós parece despertar de novo para a vida.

Num sorriso, numa lágrima de emoção, numa remoção do peso que pairava sobre o nosso peito.

Mas também no medo de não ser mais do que isso: uma promessa.

Dezembro

Um típico sábado de dezembro, rico de preguiça, momentos de lazer e reflexão.

Oscilando entre o ano que termina e o que se aproxima.

Entre as decisões a tomar para que o que aí vem seja realmente a expressão do meu eu profundo, e o medo de estar a apontar na direcção errada. Mais uma vez.

Dezembro tem este efeito em mim: uma espécie de encerramento simbólico, amargo e doce. Expectante por vezes. Algo que os anos não pagam.

Guardo os últimos treze dias deste mes para um ritual. Em cada dia dedico-me a um mês, escrevo os sonhos, as despedidas, os reencontros, os sentires lembrados. Até ao 12o dia, mês a mês. No 13o passo da avaliação retrospectiva para a acção prospectiva, e inicio a preparação do novo ano. Sem promessas nem compromissos de ano novo, apenas com o coração à flor da pele, a inteligência embebida em emoção, preparo-me para o que aí vem. Sem pretensão a controlar o futuro.

Apenas a busca do equilibrio das energias para mais 365 dias.

Avancemos por dezembro, então.

Silêncio

Silêncio.

Peço a todos que não se façam ouvir,

aos pássaros que parem de cantar,

ao vento que deixe de assobiar.

Deixem o silêncio reinar em absoluto,

espalhar-se com o frio do luar de inverno,

pairar sobre a cidade.

Deixem que nada se ouça,

tornem suave a vossa respiração,

calem os vossos pensamentos,

deixem que reine o silêncio absoluto.

Quero reencontrar o som dos risos perdidos,

das vozes apagadas pelo tempo,

dos sentimentos contidos no meu peito.

Só assim te poderei reencontrar no meu presente distante.

42351646_1976018179087729_3342537476110548992_n.jp

 

 

Envelhecer

O que me custa no envelhecimento,

Não são os cabelos brancos que me matizam a fronte,

Ou as rugas que traçam caminhos às minhas lágrimas.

São as perdas irreparáveis que se acumulam,

Deixando um vazio cada vez maior dentro de mim.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D