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Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Mãos nos meus ombros.

Sonhei contigo esta noite. 

Falavas comigo, olhos nos olhos como era habitual. 

As tuas mãos pousadas nos meus ombros, apertavam, talvez para impedir a minha fuga, talvez para evitar que voasses com uma qualquer corrente de ar.

Como é hábito da minha infiel atenção, não ouvi nada do que disseste. Fixei-me no pormenor das mãos sobre os meus ombros.

Nada de novo. Perco o essencial fixando um qualquer pormenor significativo apenas para mim.

Acordei com a sensação de algo estar fora do quotidiano, de deslocamento. 

Sacudi os ombros sob a água do chuveiro. Mas as mãos continuam lá, sobre os ombros.

Foi quando olhei para a data que percebi. Instintivamente pus a minha mão no ombro, em busca da tua. 

Por favor, não tires as mãos dos meus ombros hoje. Põe sobre eles todo o peso que puderes.

Desconfio que sou eu que o vento leva hoje se não me agarrares. 

Sonhos

Voltou esta noite um dos meus sonhos mais recorrentes - o das viagens. 

É algo que surge de forma frequente e variada. Já parti de carro, de autocarro, de barco e de avião.

Fui para paragens paradisíacamente tropicais e incrivelmente geladas. Para o campo e para a cidade.

Sozinha ou acompanhada. Por vezes a acompanhada por pessoas que só no sonho conheço. 

Numa tentativa de fuga, não interessa para onde, que a realidade não permite.

A aventura que quebra desventuras do quotidiano. 

Repouso

Repouso.

Estranha palavra que remete para a ideia de um pousar repetido.

Um pousar de corpo que leva a cabeça a múltiplos e súbitos pousios, à maneira precisa de pardal irrequieto. 

Descobrimos cantos que julgávamos resolvidos e revemos os por resolver. 

Em momentos de sorte a revisão leva a concluir que sim, aquele é um assunto arrumado. 

E assim vamos de pouso em repouso até o cansaço tomar conta de nós e fecharmos de novo o acesso aos recantos com uma qualquer chave, natural ou química. 

 

Velhices

A quem tem mais de 50 chamamos cotas. Pré-velhos. Como a esperança de vida aumentou muito, já não são velhos. Mas...

Têm indubitavelmente conhecimentos, mas desactualizados. 

O andar mais lento, de quem percebe que as corridas só servem para cansar, é entendido como perda de força e energia. 

Desinveste-se. 

Não se pensa neles como potencial para o trabalho, para papéis activos e inovadores, para relações, de qualquer género, fora de padrões preestabelecidos para cinquentões. 

E isto choca, melhor, zanga-me mais quando sei que esta atitude parte de quem já está nessa idade, alimentando assim a sua própria desvalorização. Como se achassem que estarem rodeados de jovem fosse uma espécie de vacina.

Dando desta forma o exemplo prático indicações para a forma que eles próprios devem ser tratados. Com a deferência devida aos velhos  a quem não se reconhece o valor actual. 

 

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