Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Primavera

Que belas estão as árvores do meu bairro! 

Todos os anos, por esta altura, surge em mim este encanto.

Mas, este ano... 

Não sei se o recolhimento, se a passagem dos anos, vou-me sentindo mais emotiva. Não mais sensível - mais emotiva. 

A reclusão traz-me à flor da pele. 

Faltam-me os que me querem e a quem quero tanto, os seus olhos, os seus cheiros, os seus risos. 

Os saltos das crianças da família, o refúgio que são para mim quando dormem no meu colo. 

Imagens que me enviam, videochamadas, tudo me deixa mais à flor da pele. 

Assim, fugi para o meu reduto de infância - a varanda. 

De joelhos sobre a cadeira, braços cruzados sobre o parapeito, cabeça nos braços. 

Deixei a aragem brincar com os meus cabelos, o sol aquecer as pálpebras cerradas. 

Os pássaros cantam, donos de um bairro vazio. 

Sinto a Primavera a crescer dentro do peito. 

Até que reparo que falta - tanto que havia antes! - o som dos vizinhos. 

Também as casas se tornaram silenciosas. Como se os habitantes não quisessem chamar a atenção.

De novo me quedo à flor da pele.

Que belas estão as árvores do meu bairro... 

IMG_20200329_193708.jpg

 

 

 

 

Silêncio

IMG_20200321_180743.jpg

 

Perdem-se as palavras nos meandros do meu silêncio

A ausência de gente nas ruas, na casa, em mim, esvazia de sentido os dias

(Que correm lentos) 

E enchem de sussurros fantasmagóricos e oníricos as noites

(interminavelmente longas) 

Os sonhos trazem sons de vozes há muito perdidas, cheiros da minha infância, sorrisos que já não uso

Isto enquanto os aparelhos devolvem mensagens que não chegam a ser lidas

Apenas o som dos meus passos, sobre o cinzento do chão me devolve a resposta à dúvida se ainda sou

O som e esta minha vontade de ser longe, ausente 

 

Manhã 3

IMG_20200318_103101.jpg

A manhã surgiu azul, tranquila. 

Terceiro dia de uma nova rotina, fui beber o café na varanda.

O que mais me tem impressionado nestes dias é o silêncio. Não chega a ser pesado. Mas vivo entre escolas e dou pela falta do chilreio infantil e juvenil. 

O movimento de carros faz lembrar a minha infância, em que todo o bairro era nosso, sem grande trânsito.

Da janela observo como a natureza segue o seu caminho: as árvores cheias de rebentos, dando ares de primavera, os melros que surgem como donos do bairro, cantando tranquilos pelo chão. Só o carteiro os obriga a levantar voo. 

De um telhado vizinho um casal de gaivotas, que ali fez ninho, quem diria?, voa e pia, não sei se à procura de comida, se incitando alguma cria.

Os vizinhos, tal como eu, aproveitam o sol e a brisa para secar a roupa nos estendais, o que dá mais um toque de cor ao bairro, já de si colorido. 

As azedas pintam de amarelo a verdura do chão. 

Esqueço por um momento as circunstâncias que nos retêm em casa.

A natureza do meu bairro sempre teve este condão sobre mim. 

Boa noite

Tragam a noite. 

A luz a mais já me cansa, 

O silêncio como que me chama. 

Na luz de uma vela

Cresce-me a iluminacao, 

Trazem-me os sonhos, 

As respostas, 

E por vezes inspiração. 

Preciso que num amanhã morno, 

Venha ele quando vier, 

Eu retorne à harmonia, 

E à esperança discreta, 

De um tempo mais completo, 

De um pensar mais claro, 

E um corpo mais satisfeito.

Até lá, sonhemos. 

5 anos

Perguntas-me onde me vejo daqui por cinco anos. 

Daqui por cinco anos? 

Se nem sei onde estarei daqui a um ano. 

Se a noite me vem tomar, ou se o dia me vai aquecer. 

Não consigo dizer o que sou hoje, sei lá o que serei. 

Apenas te posso garantir que, a estar cá, serei 5 anos mais velha.

Possivelmente, mais rabugenta.

Mas mais que isso, não consigo garantir.

Não posso fazer planos, para te responder. 

A última vez que os fiz, a vida trocou-me tanto as voltas que desisti. 

Limito-me a levar cada dia por sua vez.

Se te chega, estamos bem. 

Pequenas coisas

DSC_0003.JPG

Como um pequeno ser, sobre um fundo de cortina, em que o teu corpo se destaca - verde contra azul - mas as tuas asas se mantêm discretas, invisíveis a quem passa distraído, mantém-te atento e prepara-te para voar.

Em qualquer momento a janela pode ceder, o vento pode soprar e uma brecha indicar-te-à o caminho.

Não te demores demasiado, não te quedes distraído, ou logo ficarás preso para sempre, na imobilidade dos dias, na incerteza das horas, convencido que vogas sobre um céu azul.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D