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Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Caleidoscópio

Cansaço.

De quê?

Nem eu sei.

Os dias têm sido suaves.

Não doces, mas suaves.

Mas hoje, o dia perdeu a suavidade.

Ou terei sido eu?

Como se as nuvens por sobre a serra anunciassem tempestade.

O cansaço instala-se em dias assim.

A cabeça anseia por um local onde pouse.

Onde descanse.

Estranho, como em tempos acreditei.

Que o teu braço sobre os meus ombros seriam o suficiente.

O teu sussurro no meu ouvido.

Um caleidoscópio de emoções.

A cor no fundo de um tubo negro.

No interior de um invólucro insuspeito de cor,

o bater do meu coração, em uníssono com o teu.

 

Renovação

Entraste na minha vida, sem convite nem aviso, como se o espaço fosse também teu.

Foste ficando, tomando conta do meu mundo interno.

Não contente, foste limpando caminho, removendo resíduos de emoções, arrumando recordações, criando espaços em aberto. 

Resisti, de início mas, confesso, com pouca convicção. 

Foi-me invadindo a curiosidade de qual seria o resultado final do reordenamento e renovação a que te dedicava. 

Quando terminaste, ao invés de tomar conta do espaço, partiste. 

Agora, vejo-me a braços com todo um mundo em aberto. 

Reaprendo a viver com a leveza do vazio, hesito em reocupar espaço. Entre o medo, a incerteza e a curiosidade de onde isto me poderá levar. 

Viagens

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Existem locais que me enchem do seu silêncio.

Sagrados de natureza, lembram monumentos, mas sem mão humana na sua criação original.

Trazem-me paz. Esvaziam-me de emoções, lembranças, dores. 

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Nesses momentos sou eu apenas. Só. Sem artefactos, nem defesas.

Ciente de mim, ancorada na realidade do momento, torno-me mais próxima do sonho, do que poderá ainda ser. 

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São os momentos mais livres de que tenho memória. Livre de pré-conceitos, de metas impostas. Livre de mim. Mas mais puramente eu. 

Pronta a abraçar o presente e a construir amanhãs.

Tábua rasa para novos sonhos. 

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Sinto falta desses meus locais.

Talvez seja tempo de partir.

Tempo de descobrir novos locais. 

Confissão

Em noite escura, ausente de lua, confesso, sem qualquer pudor: amei-te um dia. 

Amei-te entre as cores das flores que brotavam, e a luz resplandecente da lua cheia. 

Amei-te por tudo o que eras e aquilo em que me tornavas. 

Sem as ilusões dos sentidos, senti-nos um, num enlace profundo de um sonho irrepetível. 

Mas, como em todos os sonhos, também neste irrompeu a madrugada. E num momento de lucidez percebi o fim da primavera. 

Hoje, procuro as cores que surgem na nova estação. Também são belas, impregnadas de aromas antigos. 

Deitada, numa noite sem luar, o corpo pede descanso, mas a memória traz aromas antigos enquanto o coração pergunta: quem irei amar agora?

Do sonho improvável de ontem, nasce a esperança de um novo amar. 

Até lá evoco no corpo as sensações dos velhos sonhos e das recordações de outrora, enquanto me preparo para voltar a adormecer. 

Saudades

Por vezes é um aroma,uma data, ou uma música.

Bate em cheio (e bater é a expressão certa) e tudo volta à memória.

Os sorrisos, as conversas de olhos brilhantes, os debates de ideias e os planos.

E dentro de mim parece, de novo, desatar-se uma torrente.

Incontrolável.

As saudades, fortes, invadem-me a alma, os olhos, enquanto me esvaziam o coração.

Há dois anos, despedimo-nos com um até amanhã que nunca chegou.

Os planos ficaram no ar. As promessas que fiz só parcialmente cumpridas.

E um espaço em branco na minha amizade.

A maior tolice: reinseri o teu número no meu telemóvel, por me parecer inconcebível aquele vazio.

E, por vezes, ao domingo à noite, ainda espero o teu telefonema para combinarmos os nossos afazeres da semana.

Até quando?

Promessas

Hoje acordei assim. A pensar em todas as promessas que trocámos.

O sorriso, com que acordava nesse tempo, está hoje longe; uma indelével recordação de outros tempos.

A música com que acordei também não ajuda.

A voz, tão diferente da tua, insiste em me dizer palavras que poderiam ser tuas: "não adianta nem tentar me esquecer".

No entanto o dia exige que me vire do avesso. Me concentre no trabalho. Que sorria.

Assim farei.

E cada sorriso que não vais ver, será, também ele, para ti.

Quem sabe um dia o encontres, por aí perdido...

Gente

Gosto de gente.

Gente que chora e que ri. 

Que é verdadeira, consigo e comigo.

Gente que sofre, que ama, que luta por aquilo em que acredita.

Gente que é fiel a si mesma, mesmo que isso implique, por vezes, mudar de direcção.

Gente que erra, que tem medo. Que é humana.

Gosto de gente que me desafia a ultrapassar limites,

que me obriga a parar para pensar.

Gente que me olha nos olhos, que me lê nas entrelinhas.

Que aguenta os meus risos e as minhas zangas.

Que afugenta as minhas angústias.

Gente que assume as suas fragilidades, e me permite estar presente.

Que aceita o meu ombro, mas também oferece o seu.

Gosto de gente.

Gosto de ti.

Gosto de mim.

Gosto de nós.

Dias

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Há dias como noites, em que o céu nublado torna difusa a luz do sol. 

Todo o colorido, à nossa volta, surge desbotado, pardo, num silêncio pouco sacro, que incomoda.

São dias lentos, que se perdem nos vagares do quotidiano. 

Indiferentes a tudo isso, apenas as árvores, para quem as nossas sombras internas nada contam.

Estes são dias que, bem aproveitados, nos dão muito. 

A ausência do brilho lá fora faz olhar noutra direcção, se com sorte, para dentro.

Disse-me alguém, que nesses vagares de dia cinzento, sol pálido, tímido de amarelo, as cores estão lá, brilhantes como sempre, nós é que as estamos a ver com os olhos errados.

Basta pegar num pincel e com a imaginação colorir a paisagem com pinceladas de sentimentos, amores e desamores. 

Inagina: todo um mundo pintado de algum eu para outro tu, numa tela imaginada, a contar histórias por viver, e que um de nós idealizou. Um quadro de brilhos, de ilusões sonhadas que, um dia, serão cenário para um outro par de nós. 

Os sapatos

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No caminho, junto de um caixote de lixo, uma cadeira velha. 

Sobre a cadeira, uns sapatos brilhantes, ainda em bom estado. 

Sorrio. O sonho de uma rapariga, uma ocasião para usar uns sapatos assim.

Mas, ali pousados naquela cadeira, aqueles sapatos mais parecem um sonho abandonado.

Deixados numa espécie de convite a quem passa para que se sente, os experimente, os leve. 

Alguém que calce o sonho de que um outro alguém desistiu.

Quem experimentará os meus? 

 

Frio

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Hoje tenho um frio que não me deixa sossegar. 

Não é frio de tempo, é frio de dentro. 

Numa tentativa de apaziguamento vim até à praia, em busca da tranquilidade que me foge. 

A praia tem pouca gente, algumas crianças felizes pela ilusão de normalidade que a praia dá. 

A minha companhia, na sua alegria dos 9 anos, tira-me do retiro dos meus pensamentos: vamos à água?

Acedo. Talvez o tal apaziguamento esteja à beira mar. 

Não resulta. Penso nos locais que já visitei e que me deram essa paz que agora me falta: ponta de São Lourenço; lagoa do fogo. Fecho os olhos ao pálido sol. 

A minha pequena companheira salta feliz e recordo-me há 40 anos, nesta mesma praia. Estranho como lembro os sonhos de então. Estranho como tantos ficaram pelo caminho.

Aqui há tempos perguntei a uma amiga como era possível que a minha vida parecesse uma sucessão de decisões erradas. Sabiamente respondeu-me que era uma sucessão de decisões que fizeram de mim a pessoa que sou hoje. É verdade. Talvez não tenham sido assim tão erradas. 

Mas, hoje, o frio interno não se esbate. Há decisões que fazem isso. Perdas conscientes. 

Decido-me por um mergulho. Assim fica frio por fora como por dentro. Pode ser que sinta menos 

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