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Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Doçuras, travessuras, bons humores, irritações. Aqui todo o meu mundo fica guardado. Um pouco do que sou. Ou do que não sou.

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Doçuras, travessuras, bons humores, irritações. Aqui todo o meu mundo fica guardado. Um pouco do que sou. Ou do que não sou.

ritmos e arritmias

Sinto falta da cultura. Dos sábados à noite num cinema ou num teatro.

De um bom concerto. Clássico ou não.

Gosto de ouvir música de olhos fechados.

Deixar os sonhos vagar ao ritmo dos sons, sejam eles clássicos ou modernos.

São engraçadas as imagens que nos ocorrem, nesses momentos.

Há uns tempos, quando ainda se podia ir a concertos, teatro e afins, combinei com uma amiga irmos assistir a um concerto de música clássica, como fazíamos de tempos a tempos.

Sou quase sempre eu a lançar os desafios, após me lançar à procura de programas, e ela a confiar nas minhas escolhas.

Disse-lhe que iríamos ouvir a 8ª sinfonia de Beethoven e ela, com a tradicional resposta "trata dos bilhetes". O que eu não lhe disse é que a segunda parte era preenchida com um compositor moderno, Rihm.

Enquanto decorreu a 1ª parte, tudo esteve tranquilo. Eu maioritariamente de olhos fechados, ela a balançar a cabeça ao som dos compassos.

Quando entrou a 2ª parte do concerto, mantive os meus olhos fechados e todo um manancial de imagens e fantasias foram dançando na minha imaginação. Foi como se o cérebro tentasse reagir às variações de ritmo, de cadências, quase caóticas. Para mim, deliciosamente caóticas. Mas era impossível não sentir o desconforto ao meu lado. Até que lhe perguntei "Queres sair?" - havia quem o estivesse a fazer. Disse-me que não, mas senti ali toda uma tensão a acumular-se. Sorri por dentro a imaginar a tempestade no regresso a casa.

O concerto terminou, depois de cerca de 45 minutos de caos organizado, que criaram imagens no meu cérebro que iam desde comboios desgovernados, a desenhos animados e a mil e uma outras coisas sem nexo. Uma viagem quase psicadélica!

Fomos para o carro e o silêncio instalado.

Até que, ao entrar na autoestrada, lhe sai de uma baforada "Mas o que é que te passou pela cabeça!?"

Aleguei, como se fosse a coisa mais natural deste mundo, que queria ouvir a 8ª de Beethoven. E que nos fazia bem ouvir coisas diferentes.

"Coisas, é a resposta certa", foi o que recebi de volta.

Certo é que nos concertos seguintes passou a verificar os programas. 

 

Ainda hoje, entre o zangado e o incrédulo, conta a quem a quer ouvir:

"Aquilo era um inferno, sem ritmo atinado ou melodia. Eu em arritmias, e ela para ali, de ar tranquilo, olhos fechados a deliciar-se nem sei bem com o quê!"

E eu a pensar com os meus botões "nem eu"...

 

Saudades

As saudades são como as cerejas, encadeiam-se umas nas outras, qual elos de cadeia que nos prende à vida.

Podem surgir pelos motivos mais tontos, pelas coisas menos expectáveis.

Hoje, enquanto via a correspondência, dei comigo a pensar nas saudades que tenho de receber uma carta. O cheiro do papel viajado até às minhas mãos. Quando as abria, por vezes sentíamos os resquícios de aroma do remetente. Ler as palavras, a caligrafia e adivinhar o estado de alma de quem adivinhou. Quando a minha irmã e uma grande amiga foram viver para longe, trocávamos cartas com confissões, descrições de dias, sonhos e fantasias.

Depois vieram os emails. Traziam a vantagem de resposta rápida, sem perder totalmente a emoção da espera. Quem nunca ficou a espreitar a caixa de entrada de hora a hora? Já não havia o prazer da caligrafia, o cheiro do papel, mas ainda podíamos estender longas palavras, trocar histórias, promessas, planos, provocações e mesmo gargalhadas.

De seguida, chegaram os sms. E começaram as mensagens curtas. E aí começou os «"Queres ir beber um café?"; "A k horas?"; "hora do costume, no nosso café habitual?"; "ok. Bj"». Vieram os bjs, os keres, os obgd, as letras perdidas, desencontradas de emissor e destinatário. Os bonequinhos amarelos a transmitir emoções para reforçar as palavras que não são escritas.

Não estou a declarar-me inocente de tais pecadilhos! Atire a primeira pedra quem nunca o fez. Não serei eu. Acho os bonecos muito úteis para tentar que o outro perceba o que realmente pretendo dizer, já que na palavra escrita em versão curta não há muito espaço para entoações.

Não sei. Talvez esteja a envelhecer e sejam apenas saudades do passado.

Talvez seja dos silêncios que esta pandemia trouxe, das mensagens que deixaram de chegar. As vozes que deixei de ouvir e as palavras que deixei de ler.

Talvez tenha apenas saudades de receber uma carta. Ou um mero email.

Saudades. Mas sem saudosismos.

Esquece

Esquece o que parece, o que te dizem, o que devo ser.

 

Ama-me pelo que sou e não pelo que pareço, e dar-te-ei boa parte do meu mundo.

Dá-te ao trabalho de procurar entre os silêncios, e entenderás.

Talvez não o que sou, que isso nem eu sei. Mas pelo menos o que não sou e o que quero.

 

Ama-me com a mesma intensidade com que vivemos, pois eu não o sei fazer de outra forma.

Nesse momento entrego o meu coração na tua mão. Não o guardes numa caixa nem num altar, que isso não é lugar para corações.

 

Ama-me em cada dia, em cada noite, em cada momento certo.

Sem abafos, sem perda das nossas diferenças, pois são elas que me encantam.

 

Ama-te tanto quanto me ames e o caminho será claro. Eu farei o mesmo.

 

Sempre que necessário, podes esquecer tudo e partir.

Mas cuida-te no voltar; poderei já não estar à tua espera.

Amores

Amores, desamores, contra-amores.

Tema de fundo nas nossas vidas, intemporalmente.

O amor toma-nos a vida, alimenta-nos a escrita, entristece tanto quanto enaltece.

No mundo, milhares de livros, dissertações, obras de arte, criatividade e pragmatismo de mãos dadas em torno de um tema universal. Ou quase.

Dizem que mesmo em tempos difíceis, em momentos de profunda tragédia humana, continua a ocupar parte activa das mentes dos seres sonhadores, enquanto cuidam da sua sobrevivência.

Pode levar a actos heróicos como serve de motivo a crimes hediondos a quem não o sabe viver.

Amores, desamores.

Encontros e desencontros.

Um qualquer tu que se cruzou com algum eu.

Que amou, desamou.

E declarou o que sentiu.

Já agora: alguma vez te disse que te amei?

Mais do mesmo...

A conversa corria bem até ao momento em que senti, passe a expressão, a mostarda a chegar ao nariz.

Nunca percebi bem a origem desta expressão, mas gosto dela.

Até porque a tendência é começar a passar a mão pelo nariz, como a procurar controlar a respiração. E os nervos.

Lembra-me nessas circunstâncias o conto da minha infância transformado em filme: "Precisa aprender a controlar os seus nervos"

A conversa descambava, e tentava argumentar comigo razões que não tinha.

Numa última tentativa respirei fundo e comecei a contra-argumentar com a voz mais tranquila que conseguia.

Sei que tenho fama de zen, mas a verdade é que sou, ultimamente com alguma frequência, um pouco cáustica na ironia que uso, quando me começo a zangar.

Apercebi-me disso no silêncio que se seguiu à minha argumentação.

Até que respondeu:

- Caramba é sempre assim. Começas como Luke Skywalker e acabas como Darth Vader. 

Mantive a máscara séria mas, confesso, por dentro, ri a bom rir. 

Mudou de conversa e guardou a discussão para daqui por uns tempos. Creio que fica à espera que eu regresse do "lado negro da força".

Escritos apagados

Hoje apeteceu-me escrever.

Tanto, que já escrevi mil e uma coisas, mas tudo apaguei.

Como se tudo não passasse de apenas palavras. Soltas, ocas, sem mim lá dentro.

O que quero dizer? O que tenho para dar?

Não sei, hoje não me consigo ler.

Talvez esteja ofuscada pela primavera,

talvez por pensar demais.

 

Este fim de semana compreendi uma verdade que teimava em não ver.

Compreendi um sentir e uma situação perdurava no meu tempo interno.

Ao compreender, senti que cortei amarras que me prendiam a esse passado.

Por um instante senti o alívio da liberdade, mas por outro descobri todo um vazio.

Sei que me dirão:

Agora é tempo de redescobrir, de renascer com a primavera.

Mas algures em mim creio que já não vou a tempo.

Que agora é apenas seguir caminhos e admirar os campos em flor alheios.

 

Vida sonhada

A minha vida, ao invés de vivida, é sonhada a sono ausente.

Recusando a realidade, pinto sonhos de todas as cores.

Sonho a presença de quem parte, a partida de quem já não é.

Sonho com o que ficou por vir, mas não me encontrou.

De tanto pairar de sonho em sonho, já me perdi, já não sei quem sou.

Se aquela que foi sonhada, se a que miro no espelho.

Talvez seja ambas.

Talvez nenhuma.

Quem sabe seja sonho de outro sonhador acordado. 

Serás tu, será outro?

Talvez um qualquer deus distraído. 

Que, sonhador, me pinta entre sonos.

Ensonada.

Ensonhada.

Sonhadora. 

Uma noite em blogs alheios

Ontem à noite, sentia-me estranha.

Não era físico. Era... não sei. Olha era estranho, pronto!

Não me apetecia ler; nem ver televisão.

Nem adiantar trabalhos que me olham, acusatórios, da mesa do escritório cá de casa.

O dia tinha corrido bem.

Eu só estava... blhecs, como diria uma amiga.

Palavra perfeita para sentires assim.

Acabei por me sentar em frente do computador a olhar para as paisagens que o screensaver apresentava sucessivamente.

Depois ensaiei um texto. Não saiu nada de jeito. Deitei fora.

Foi quando resolvi dar um passeio. Pela blogosfera.

Caramba! Coisas boas que fui lendo por aí!

Poesia, pensamentos, desabafos, fantasias, muito sentimento. Uma lufada anti blhecs.

Ver se me torno mais assídua, que há coisas por aí que não se devem perder.

 

Lições

Sabem quando tentamos argumentar com uma criança de 4 anos?

Aquele momento mágico de inconsciência em que achamos que os vamos convencer que temos razão? 

Tive um desses hoje...

- Dás-me mais uvas?

- Já comeste duas.

- Sim, mas quero mais duas.

- Só podes comer duas.

- Porquê?

- Porque eu disse que ao jantar só comias duas uvas. Comeste três antes do jantar.

- Mas eu quero mais duas. Se faz favor.

- Não podes comer mais uvas, porque se comes mais uvas vais ficar velhota.

 

E assim terminou a minha vontade de comer mais duas uvas ao jantar.

Agora desculpem que vou ali escrever cem vezes: Não discutas; Ninguém bate a lógica de um miúdo de 4 anos.

Pode ser que desta vez o consiga aprender. 

Esquemas emocionais em tempo de covid

Hoje venho em registo mais sério. 
Ou melhor, venho falar dum assunto mais sério.
 
Há cerca de um ano, incomodada com uma quantidade de mensagens de pseudo-pretendentes que se "apaixonaram" pelo meu perfil de facebook (que diga-se de passagem é bastante privado) e farta de pedidos, convites e mensagens que iam do extraordinariamente parvo ao quase ofensivo (na altura ainda tinha um nível de tolerância razoável para considerar o que me foi enviado como apenas "quase ofensivo"), decidi encerrar actividades no facebook.
Entretanto voltei (mais ou menos) e não voltei a ter problemas... lá.
 
Este tipo de burlas e atentados à minha paciência surgiram até em aplicações de relaxamento que uso no combate às insónias.
Por vezes dou um dedo de conversa nesses esquemas para ver até onde conseguem levar a história, ou para perceber o que querem (curiosidades);
Noutros corto a conversa à primeira frase. Estou quase profissional na resposta antipática e irónica aos apaixonados relâmpago.
 
Preocupa-me saber que, com o isolamento a muitos imposto, haja cada vez mais tentativas de burlas pela via emocional e impressiona-me ouvir / ler aconselhamentos de apimentar relações à distância com fotos mais ousadas etc. nesta fase de pandemia, como recentemente li (não por aqui, não vão à procura).
 
É que há quem creia que essas relações à distância são sérias, que a história contada é verdadeira, arriscando acabar numa situação deveras complicada. Nem sequer é uma questão de idade ou inteligência. É uma questão de segurança ou de ausência da mesma. De histórias bem construídas.
 
Hoje encontrei um site onde se pode fazer uma rápida pesquisa das burlas que por aí vão grassando, com conselhos, partilhas de fotos usadas nas burlas (frequentemente, como sabemos, roubadas de perfis verdadeiros).
 
Encontrei lá pelo menos um dos meus pretendentes
 
Partilho o site, nunca se sabe quando alguém pode precisar dele. São vários os tipos de esquemas que são exemplificados e têm múltiplas denúncias:
 
Não pediram nada durante a busca que fiz de burlas e esquemas, portanto o site não parece ser uma burla em si - uma pessoa torna-se desconfiada
 
 
Post-scriptum - atenção que as burlas que estão a aumentar não surgem só por via de "apaixonados"; também tenho encontrado as falsas encomendas; as propostas de publicação de trabalho escrito e académico, etc. 

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