Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

"A Lancheira" ou o perigo dos sonhos alimentados

Hoje, foi uma tarde de domingo como há muitos anos não se proporcionava.

Sem almoço familiar, nem visitas, resolvi fazer algo que me é muito atípico: sentar-me defronte da televisão e começar a fazer zapping até que algo me chamasse a atenção.

Esse efeito surgiu quando vi o título de um filme que começava naquele momento: "A Lancheira".

Trata-se de um filme indiano, ou melhor uma coprodução entre India, França, Alemanha e Estados Unidos. Nada de Bollywood, mas uma bela história, bem contada.

O que me susteve o dedo na passagem para o canal seguinte foi a recordação de um bom amigo e da sua voz num dado jantar "Já viste "A Lancheira"? Tenta ver. Acho que vais gostar."

Os anos passaram (o filme é de 2013), o meu amigo partiu e só hoje me surgiu a oportunidade de ver o filme. E compreender o que o fez aconselhar-me aquele filme (já agora, mais uma vez, tinhas razão).

Não venho aqui contar todo o filme, mas apenas partilhar alguns pensamentos que me suscitou. Que valem pelo que valem.

A história gira à volta de duas pessoas que não se conhecem, mas que, devido a um acaso, começam a trocar cartas. A certa altura começam a alimentar-se sonhos e esperanças numa vida, se não melhor, pelo menos diferente.

E é daí que vem o meu pensar. E o recado do meu amigo para ver o filme.

Não sei se já vos aconteceu trocar mails com alguém que não conhecem pessoalmente. A mim já aconteceu algumas vezes. Nalguns casos as correspondências morreram logo à nascença, noutros houve partilhas mais sinceras, mais profundas, prolongadas no tempo. É nestas que se alimenta o sonho, que se sente um prazer na comunicação que queremos para sempre, ou levar para outro nível, mesmo sabendo não ser possível. 

Também é nessas que existe o perigo: de um dos lados estar a alimentar um sonho que sabe ser apenas isso - um sonho, quando a outra sente o sonho como uma possibilidade. Não se pode culpar nenhuma das partes. É frequente estas dinâmicas simplesmente surgirem, sem que ninguém as queira implementar. Como que uma relação que se vai estabelecendo.

Mas, como acontece em "A Lancheira" estes sonhos alimentados, incautamente, podem dar ganhos a um e perdas duras a outros.

Tal como disse, já alimentei sonhos à distância, como já os cortei, como já vi os meus serem alimentados e cortados. São situações que acontecem.E que nem são de agora. Antigamente, as linhas cruzadas dos telefones também levavam a situações semelhantes.

Em "A Lancheira" revi-me nos dois lados - o que acorda dolorosamente para a vida normal, e o que acorda mais rico, dependendo das situações recordadas.

Ficou-me a esperança de ter maturidade suficiente para não voltar a cair no erro de alimentar sonhos que não devem ser alimentados. Porque sei o quanto pode doer acordar depois.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D