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Entre ser e estar

Entre ser e estar

Cartas que não vou enviar I

Hoje estava na praia. Numa praia nova. Mas os pensamentos permanecem velhos.

Estou longe e tu não dizes nada. Bem sei que fui eu quem decidiu esta distância, não tens culpa. Pensas estar a jogar um jogo seguro, mas podias quebrar o silencio.

Ser menos politicamente correcto.

Surpreende-me. Diz um pequeno algo que me permita justificar o permanente pensar em ti.

Então decidi escrever-te:

És um idiota.

Por fazeres tudo certinho. Por eu fazer tudo certinho.

Estou com os pés dentro de água, a paisagem é linda, e eu a pensar em ti.

Os pés a enterrarem-se na areia e eu a afundar-me nos pensamentos. Será que pelo menos te lembras de mim?

De repente olhei para o lado e dei pela companhia.

Uma gaivota, tal como eu, molhava as patas. Tal como tu permanecia (aparentemente) indiferente.

Eu a lamber feridas, ela a lavar as penas.

E o mar a ir e vir indiferente a todos, como o tempo que passa indiferente sobre os nossos pensamentos.

E de repente percebi.

Sou uma idiota.

As coisas são como as fiz. Eu criei as regras muito antes de nos encontrarmos.

Então, vamos deixar as ondas vogarem, deixar o tempo correr.

Libertar-me dos medos, das contenções. Deixar de querer saber. Seguir. Mergulhar.

E deixar esta carta quieta, sem ta entregar.

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