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Entre ser e estar

Entre ser e estar

Fantasmas

Detesto dias parados.

Aqueles, em que o ruído quotidiano é insuficiente para calar os pensamentos.

São dias (e noites) em que apetece mergulhar nos vícios privados para apagar memórias, presentes ou sonhos inexistentes.

Ceder o norte ao terceiro copo de gin.

Por vezes, no meio das minhas deambulações pouco quiméricas, recordo os fantasmas com que me cruzo em cada dia.

Fantasmas reais, de carne e osso, que divagam pelas ruas da cidade, vazios. 

Cheios de passado incerto, mas vazios de futuro.

Fantasmas cujas linhas do rosto ignoramos.

Que nos contam histórias em que já não se revêem, nem acreditam.

Fantasmas da vida, vazios de tudo; sem futuro e com um passado semi-inventado.

Por vezes, ao ouvi-los, a ansiedade toma-me de assalto. Imagino-me entre eles, numa irmandade incorpórea. Mãos vazias, bolsos vazios, esquecida dum futuro ausente. Fantasma.

Até que me acalmo com a resignada compreensão de que parte de mim já lá está. 

Sou fantasma de uma vida sonhada, de futuro incerto. Sem garantias. Sem nada. Apenas com um passado para contar.

E ruas para palmear. 

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