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Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Entre ser e estar

Medos, sonhos, sentimentos e sentidos alerta. Aqui ficam as doçuras, no outro as travessuras.

Nem, Nem

Aqui há uns tempos tive um amigo, digamos, especial.

Não chegava a ser uma relação íntima, mas também não deixava de ser.

Digamos que era uma relação assim... "nem, nem"

Os tempos corriam bem, eu achava que o "nem, nem" era apenas uma fase nossa.

Até que comecei a sentir "o" frenesim. 

O bom do meu amigo, era sempre delicado, respondia sem falhar às minhas mensagens, aos meus mails, aos meus telefonemas. Sempre paciente com as minhas impaciências, com os meus humores por vezes instáveis.

Aguentava os sarcasmos com a mesma bonomia que recebia os meus elogios sinceros.

Nem se chateava com uns, nem respondia aos outros. Nem, nem.

Um dia numa volta e revolta de troca de mensagens, resolvi mudar a regra do jogo.

Telefonei: "Olha, por mim chega. Não tens de responder sempre, se não te apetece. A sério. Não tens de aturar todas as minhas coisas. Eu não o faço por ti". E a resposta lá veio - politicamente correcta. Não dizia que sim, nem dizia que não.

E fui percebendo que aquilo não era simpatia, ou táctica de conquista. Era apenas nem, nem...

O tempo foi passando, tentei agitar as águas várias vezes, até que um dia lá se levantou um pouco o véu da indefinição.

"O que esperas de mim?" foi o grito que me foi atirado. "Nada de especial. Apenas que sejas sincero, que andes a meu lado, sejas o meu apoio, o meu motor de avanço, o meu travão nos excessos. E eu serei o mesmo para ti. Amantes, amigos, inspiração e conspiração".

A resposta foi, finalmente, sincera: "Isso é bonito, mas muito difícil. Mesmo impossível. Pedes demais". E naquele dia terminou-se o nem, nem.

Desde então, fujo a sete pés de reencontros nem, nem.

Hoje sentei-me na praia, e não sei se foi do vento, se da água fria, juntei no meu pensamento o hoje e o ontem com nem nem.

Fiquei abismada! Não é que fui cair de novo numa situação nem nem?! E que o papel nem nem, agora, parece também ser meu!??

Desconcertada, vim para casa e pus o assunto de lado por umas horas.

Jantei, arrumei a cozinha, e sentei-me frente a um livro. Não li nada.

Respirei fundo, levantei-me e fui beber um pouco de coragem à cozinha, para obnubilar pensamentos.

E foi então que aconteceu: "olha, pela minha parte, acabou-se o nem, nem. É sim, quando sim, e não, quando não.

E se não responder, não é amuo. Apenas nada tenho a dizer."

E pronto.

Pisquei o olho ao espelho e satisfeita fui dormir. 

 

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